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quarta-feira, 20 de março de 2013

Dirceu e Dirmeu


Eram dois amigos inseparáveis: Dirceu e Dirmeu.
Um dia, depois de uma longa discussão sobre reencarnação, céu e inferno, resolveram fazer um pacto: o primeiro que morresse, voltaria à Terra para contar ao outro o mistério da vida após a morte.
Os anos se lavaram, se passaram e se engomaram até que um belo dia Dirceu bate as botas.
Duas semanas depois, no meio da madrugada, Dirmeu vislumbra o vulto de Dirceu entrando no seu quarto.
— Oi, Dirmeu! Como tem passado? — pergunta o morto.
— Na mesma de sempre, e você?
— Nem te conto! Passo o dia inteiro transando!
— Tá brincando?
— Tô não! Logo de manhã, transo umas duas ou três, descanso um pouco e pimba, dou mais umas quatro, tiro um cochilo e mando ver mais uma meia dúzia, como alguma coisa e às vezes dou mais umas duas.
— Caramba! — espantou-se Dirmeu. — Quer dizer, então, que lá no céu é uma maravilha?
— Céu? Quem te falou em céu, mermão! Eu reencarnei. Agora sou um touro reprodutor numa fazenda lá no Buriti Grande.

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