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domingo, 27 de maio de 2012

Catira


A magia da dança catira

por Marco Túlio

(Texto publicado há alguns anos no Jornal de Negócios de Bom Despacho/MG)

A catira tem uma origem muito discutida. Alguns dizem que ela veio da África junto com os negros, outros acham que é de origem espanhola, enquanto estudiosos afirmam que ela é uma mistura com origens africana, espanhola e também portuguesa – já que a viola se originou em Portugal, de onde nos foi trazida pelos jesuítas.
A dança catira, para quem não sabe, surgiu em Bom Despacho há muitos anos, na comunidade da Extrema, e se chama os extremeiros. Eles foram o grupo que mais influenciaram a dança na região. Mas com o passar do tempo o grupo foi se distanciando, seus integrantes foram se mudando para outras cidades até parar de se reunir e de se apresentar.
Com a mudança do pessoal e a não preocupação de passar essa cultura para os descendentes, a Catira deixou de existir em regiões como Vargem Grande, Lagoa Verde, Picão e na própria Extrema. Contudo, os extremeiros continuam se apresentando em Bom Despacho, ainda que com pouca freqüência.
Em nossa região, um dos grupos mais atuantes  é o “Pedro Pedrinho”, que se originou no município de Martinho Campos, no povoado de Monjolos, e tem como integrantes vários catireiros bom-despachenses, entre eles o comandante do grupo, o médico José Maria Campos, que atualmente reside em Bom Despacho.
A origem desse grupo é muito interessante, pois ele é formado só com membros da família. O nome veio do pai do Dr. José Maria, que se chamava Pedro Fernandes Filho, conhecido como Pedro Pedrinho, nascido e criado na beira do São Francisco, na comunidade dos Monjolos. “Ali existia um grupo de catira, formado por ele e seus irmãos e alguns outros parentes, e o pessoal que trabalhava na fazenda de seu pai, que também era violeiro e dançador. Ele teve a preocupação de passar para os filhos a dança da catira, conservando a tradição na família Fernandes Campos”. Com uma família muito grande, de 14 filhos, Pedro Pedrinho conseguiu conservar e ensinar a arte de sapatear para seus filhos, cultivando essa dança folclórica que, a meu ver, vai durar muito tempo. Eles aprenderam também a tocar viola, formando assim o grupo de catira Pedro Pedrinho – que constitui hoje a 4ª geração de catira na família Fernandes Campos. Atualmente são 26 catireiros entre irmãos e sobrinhos. Todos estão agora aprendendo a tocar viola, pois o sapatear e o bater palmas todos já sabem.
Com isso se espera que o grupo não se acabe como aconteceu com outros, que não foram passando para frente as suas raízes.
Para o ano que vem, o grupo espera se apresentar no programa “Viola minha Viola”, da Inezita Barroso, que é um programa de raízes e que se preocupa muito com o folclore brasileiro, levando assim mais uma vez o nome de nossa cidade para o cenário nacional.
Descontração
A dança catira não se limita apenas em bater palma e sapatear, constituindo-se num estilo de vida de quem está dançando. Naquele momento o dançador se esquece de coisas ruins, trazendo assim muita alegria e descontração, além da dança servir também como identidade familiar para os integrantes do grupo.

Catira é folclore, é cultura. Vamos cultivar essa raiz em nossa cidade para que ela seja sempre lembrada por todos como uma dança alegre e bonita.



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