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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A folha de taioba



Vô Vicente era  uma criatura muito afortunada. Homem de qualidades múltiplas, quase sempre bem trajado e muito inteligente. Não era de vícios e vivia para o trabalho. Morava numa roça e veio pra Badia, ainda na época da guerra, em busca de melhores dias. Aqui chegando junto com a família se estabelecera na Rua Modesto Lima, numa casinha rosa ao lado da Igreja Batista.
Com o constante aumento da prole adquiriu mais lotes, fez um chiqueiro, um galinheiro, plantou horta e ali criara os filhos e alguns netos, dentre eles, esse humilde amante das letras que ora vos escreve.
Tudo ia bem até que Vô Vicente começou a ter estranhas atitudes (ria sem parar) quando comia a folha da taioba (só ele que gostava e  comia em casa). Isso acontecia sempre nas refeições onde tinha a folha como iguaria.
Incomodada com as atitudes do chefe da casa, minha avó Rosa resolveu chamar um médico para examinar o Vô e saber mais sobre isso. O “cura-tudo” chegou e examinou o ancião que se encontrava em perfeita saúde. O médico então pediu pra ver a taioba que fora feita, achando que o motivo não seria a folha, haja vista que a mesma é muito saudável e não tem contra-indicação.
Pegou uma folha, lavou e levou à boca, alimentando-se com aquela verde hortaliça. Passaram-se 10 minutos e o médico começou a rir, a cantar e a dançar feito um Michael Jackson. Foi uma coisa de louco.
Passado algum tempo o médico se restabelecera e ficou pensativo sobre o episódio e pegou mais duas folhas para analisar em um laboratório na capital de Minas. Resultado: as folhas continham uma enorme quantidade de – Acreditem! – Pinga d’Badia.

Isso mesmo... a horta em que fora plantada a taiobeira era onde alguns foliões enterravam os garrafões de pinga arrolhados, quando os lotes ainda eram vagos. A raiz da planta chupava o líquido alcoólico que vazava aos pouquinhos todo dia. Assim, era só comer da taioba que o efeito logo vinha e aquele fogo ficava por vários minutos....só assim mesmo pro Vô beber pinga!

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