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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Surpresa ou confirmação? Eis a questão!


Duas semanas após Dilma Roussef ser reeleita, o governo acumula medidas contraditórias e libera a divulgação de números desfavoráveis. Um dia depois que o governo atual ganhou mais quatro anos na condução do Brasil foi anunciada o aumento da dívida pública federal. Mais dois dias e foi a vez de o Banco Central elevar a taxa básica de juros. E mais um dia foi o suficiente para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) disponibilizar em seu banco de dados o aumento do número de miseráveis no país. E a isso seguiram os anúncios do aumento do desmatamento, dos cortes nas contas públicas e da elevação no preço dos combustíveis.

A dívida pública federal cresceu 0,65% em setembro em relação a agosto e fechou o mês em R$ 2,183 trilhões, segundo informou o Tesouro Nacional em 27 de outubro. A soma das dívidas contraídas pelo Tesouro para financiar déficits no orçamento não deixa dúvidas: as despesas estão maiores que as receitas. É o quinto mês consecutivo que o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registra déficit primário. O valor, de  R$ 20,4 bilhões, representa o pior resultado mensal da série histórica iniciada em 1997. E significa que o governo não conseguiu poupar nenhum centavo para o pagamento de juros da dívida pública. 


Segundo informações do governo, o aumento da dívida pública está relacionado à apropriação de juros da dívida interna e também à alta do dólar no período. Em setembro, a moeda norte-americana avançou mais de 9%, o maior crescimento mensal desde setembro de 2011. E por falar em juros, eles foram a principal surpresa após a reeleição. Após passar a campanha sugerindo que um possível governo tucano seria garantia de alta de juros, foi o atual governo federal que aumentou a taxa Selic em 0,25%. Desde abril o Banco Central segurava a taxa básica de juros em 11%, mas em 29 de outubro o índice, que serve de referência para a formação de todas as outras taxas de juros aplicadas no país, foi a 11,25% ao ano.

A decisão pegou investidores de surpresa. No mercado, a aposta era de manutenção da taxa, inclusive pela forma como a presidente defendeu que o aumento de juros impactava principalmente os mais pobres. Agora, a expectativa é de um novo aumento até o final do ano. Uma das maiores críticas a Dilma tem sido a economia, incluindo a inflação em alta: os juros são usados, entre outras coisas, para tentar controlar a inflação. 

Já a liberação dos dados do Ipea sobre a pobreza causaram polêmica com a sugestão de que já eram conhecidos antes do pleito e teriam sido “segurados”, já que o combate à miséria é a principal bandeira do governo Dilma. O relatório mostra que, pela primeira vez em 10 anos, o número de miseráveis parou de cair no país. Em 2012, o Brasil tinha 10,08 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, número que oscilou para 10,45 milhões em 2013. Foram pouco mais de 371 mil brasileiros incluídos nessas condições, aumento de 3,68% de um ano para o outro. A atualização dos dados quatro dias após as eleições ocorreu depois de um diretor do Ipea ter pedido demissão porque o instituto resolveu adiar a publicação de algumas pesquisas por causa das eleições. 

Desmatamento Outra informação nada otimista é que o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro: crescimento de 122% sobre o mesmo período no ano anterior. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o governo federal já conhecia os dados antes do segundo turno da eleição presidencial e teria adiado também essa divulgação para não prejudicar a votação da presidente Dilma. O ainda atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, também foi encarregado de dar más notícias na área social. A lista de cortes nas despesas para o ano que vem inclui o seguro-desemprego, o abono salarial e o auxílio-doença, uma confirmação de que as contas públicas não andam nada bem.

Por fim, a notícia que mexe diretamente no bolso do brasileiro. A Petrobras anunciou, na quinta-feira, aumento do preço de venda nas refinarias de 3% para a gasolina e de 5% para o diesel. Alguns economistas defendem que a alta, que terá impacto na inflação, demorou a ocorrer, deixando o custo interno do combustível defasado. Sugerem que havia um desalinhamento dos preços em relação ao mercado internacional perdurando ao longo do ano, já que o correto é o preço interno refletir o preço internacional, o quanto custa para o país importar a gasolina. (Com agências) - Jornal Estado de Minas Digital

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