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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Primórdios do automóvel "made in Brasil"

Você sabe qual foi o primeiro carro produzido no Brasil? Essa pergunta não tem resposta tão fácil quanto parece. O Grupo Executivo da Indústria Automotiva (Geia), criado durante o governo de Juscelino Kubitscheck para fazer com que o país se tornasse produtor de veículos, considera que foi o DKW Universal (rebatizado logo depois de Vemaguet), em novembro de 1956. Contudo, em junho daquele ano, era finalizada a primeira unidade de um veículo incomum, tanto para os padrões atuais quanto para os da época: o Romi-Isetta. As vendas iniciavam-se há exatos 60 anos, em setembro de 1956.
Resultado de imagem para romi-isettaO Romi-Isetta era quase um cruzamento de carro com moto: tinha apenas 2,29 m de comprimento e pesava 350 kg. O motor de dois cilindros e dois tempos, com 236 cm³, gerava 9,5 cv de potência; em 1959, ele foi substituído por um de quatro tempos, com 298 cm³ e 13 cv. A posição de dirigir, porém, assemelhava-se à de um carro, com volante e pedais de acelerador, freio e embreagem. A alavanca de câmbio, porém, ficava do lado esquerdo do motorista. Outro ponto comum aos automóveis convencionais é a presença de quatro rodas. Quer dizer, quase comum, pois o eixo traseiro é bem menor que o dianteiro, fazendo com que as bitolas sejam diferentes. Mas o mais curioso era o acesso ao habitáculo: havia só uma porta, que ocupava toda a dianteira do veículo.
Foram justamente as características incomuns do projeto que fizeram com que o Geia não considerasse a Romi-Isetta um automóvel. Para o órgão, só mereciam essa classificação veículos com, ao menos, duas portas e espaço para bagagem. Porém, seja classificado como for, o modelo foi o primeiro a ser de fato produzido, e não apenas montado, no Brasil.

Origem
Apesar de ser primogênita de todos os carros nacionais, a Romi-Isetta não nasceu no Brasil, e sim na Itália, por iniciativa da marca local Iso, que começou a produzi-la em 1953. A empresa vendeu o projeto para fabricantes de outros países, fazendo com que o veículo ganhasse o mundo (entre os licenciados, estava a alemã BMW).

No Brasil, o projeto foi adquirido pelas Indústrias Romi, de Santa Bárbara do Oeste (SP), que fabricavam ferramentas. A Romi-Isetta não foi exatamente um sucesso: foram produzidas cerca de 3.000 unidades no país, entre 1956 e 1961. De qualquer modo, o veículo ganhou importância histórica não apenas pelo pioneirismo, mas também pela concepção pra lá de original. Já as Indústrias Romi seguiram na ativa, fora do ramo automotivo: atualmente, fabricam maquinário para modelagem de metal e processamento de plástico, além de peças industriais.

Primórdios
O primeiro automóvel a circular pelo Brasil, um Peugeot Typ 3, foi importado em 1891 por Santos Dumont.
Em 1919, a Ford instalou a primeira linha de montagem de veículos do Brasil, em São Paulo. Porém, a unidade trabalhava com peças provenientes do exterior.
Durante o governo de Getúlio Vargas, em 1939, foi criada a primeira empresa brasileira do ramo automotivo: a Fábrica Nacional de Motores (FNM), conhecida como Fenemê. A estatal começou a montar caminhões em 1949; inicialmente, também com peças importadas.
Somente em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, a Romi-Isetta e o DKW Universal, feitos com componentes locais, foram os primeiros carros nacionais.
(Do jornal O Tempo)

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