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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Quatro a cada dez professores já foram agredidos no Estado


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(Do jornal O Tempo)
Nas escolas da rede estadual de Minas, 43,8% dos professores já sofreram alguma agressão física, verbal ou psicológica por parte de alunos. É o que revela uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE-MG) e que será divulgada em outubro. 

O dado, segundo a presidente do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, é alarmante. Na avaliação dela, apesar da aprovação da Lei Estadual 22.623/2017, que estabeleceu medidas para coibir a violência nas escolas estaduais há cerca de um mês, ainda faltam medidas para evitar que o docente seja agredido pelos alunos. “A pesquisa deixa claro que existe uma subnotificação. Há uma dificuldade de se fazer um Boletim de Ocorrência em casos de agressão dentro da escola”, afirmou. Os dados são anteriores à aprovação da lei. Registrar o BO é uma das exigências da nova legislação.

Desabafos.O tema voltou a ganhar força terça (22), depois que uma professora de Santa Catarina denunciou nas redes sociais ter sido agredida com socos por um aluno de 15 anos. Quarta (23), o Ministério Público afirmou que deve pedir a internação do adolescente. Ele tem histórico de agressão à mãe, evasão escolar e ligação com drogas.

Em Minas, professoras que já sofreram com a violência relatam o trauma que não passa. A professora Zenolia Ruthner, 44, ainda se emociona quando relembra a agressão que a fez abandonar a rede estadual, há quase dez anos. O caso aconteceu depois que os professores negaram o pedido de um aluno para trocar de sala. “Dei o azar de ser a primeira que ele viu depois da decisão. Fui cercada no pátio por um grupo de alunos. Me seguraram e ele me deu um soco, que pegou no meu braço e me fez cair no chão. Quase bati a cabeça”, contou.

Apesar de ter chamado a polícia, ela afirmou que não recebeu apoio, nem da direção da escola, nem do Estado. Hoje, Zenolia está em desvio funcional permanente, o que quer dizer que não poderá mais dar aulas. “A agressão me roubou o que eu mais gostava, que era lecionar”, lamentou.

Outra professora, que trabalhava na rede estadual e pediu para não ser identificada, se lembra da agressão que sofreu há oito anos sempre que olha para a mão. “O menino queria bater no colega. Eu não deixei, e ele jogou uma cadeira em cima de mim. Até hoje eu tenho a cicatriz do ferimento”, contou. Ela disse que até mesmo as famílias ameaçam e agridem os professores quando discordam de alguma decisão deles.

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